Opinião

Sábado, 30 de Novembro de 2019, 07:22

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Descarte de pulverizadores inservíveis

Por: Luiz Carlos Castanheira

Foto: Assessoria

Luiz Carlos Castanheira

 

O recolhimento de embalagens vazias de produtos fitossanitários já é uma rotina. As embalagens vazias são recolhidas pelo INPEV - Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, que se encarrega da sua reciclagem.

Fica agora uma questão: o que fazer com os pulverizadores após o fim de sua vida útil? Eles também ficam contaminados com o uso, e teriam que ser também recolhidos para uma reciclagem tecnicamente conduzida, como já é feito com as embalagens dos produtos.

Fazendo um cálculo simples, apenas no setor do tabaco, considerando 183 mil famílias produtoras, dois pulverizadores por família e uma vida média de dez anos por pulverizador, teríamos um descarte anual de 36.600 pulverizadores. Se considerarmos todas as outras culturas, e todos os modelos de pulverizadores utilizados na agricultura, esse número aumenta exponencialmente.

Recolher e reciclar os componentes dos pulverizadores é mais difícil, pois há desde equipamentos costais, tracionados por trator, auto propelidos e até aviões agrícolas que teriam que ser incluídos na discussão do problema.

Teria que ser estudada uma logística para receber esses equipamentos, como também criar nos postos de recebimento, oficinas de desmontagem desses pulverizadores, uma vez que os mesmos contêm peças plásticas, o-rings, e peças metálicas de latão (metal amarelo), alumínio, ferro, etc.

As empresas fabricantes de pulverizadores deveriam, por meio de suas entidades representativas, iniciar uma discussão no sentido de dar um destino final a esses equipamentos, uma vez que, descartados como lixo comum, ou reciclados sem cuidados especiais, representam não só risco de intoxicação, como também um problema ambiental muito sério.

Não há no Brasil uma legislação que obrigue o recolhimento desses pulverizadores por parte das empresas fabricantes, porém entendemos que essa logística reversa deverá ser seriamente considerada.


*Luiz Carlos Castanheira, engenheiro agrônomo, engenheiro de segurança do trabalho e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS)

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