Gastronomia

Domingo, 01 de Setembro de 2019, 10:52

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RONDONÓPOLIS

Do fogo no chão ao porco na casquinha: Braseiro é marcado por inovações

Por: Da Redação Mato Grosso Agro

Foto: Assessoria Festival Braseiro

Braseiro

Leitão Colhido

Quem pelo Festival Braseiro em Rondonópolis passou pode conferir em meio as 56 estações carne não apenas cortes e preparos tradicionais. Língua de boi assada e varal de cordeiro foram alguns dos pratos exóticos que chamaram a atenção, bem como ossobuco no curanto e frango atropelado. O evento que ocorreu no dia 24 de agosto reuniu 3,5 mil pessoas de diversas cidades mato-grossenses, do Brasil e até mesmo de outros países e serviu 5,3 toneladas de carne.

Natural de Paraguaçu Paulista (SP) e há 18 anos morando em Rondonópolis, Edimar Cristiano Modesto participa do Festival Braseiro desde a primeira edição. Iguaria exótica no evento pode-se dizer que é com ele. De início ele levou o Codiguim, um embutido de carne suína típico da Itália (tipo de linguiça cozida). “Há dois anos participo com o Varal de Cordeiro. Fazemos um tempero simples. Um tempero que agrada o público. O carneiro é uma carne muito apreciada, mas que não está tão disponível ao público ainda. O festival é uma forma de conhecerem”, comenta ele que assou cerca de 115 quilos em cortes de carneiro e três carneiros inteiros.

Foto: Assessoria Festival Braseiro

Braseiro

Ossobuco no Curanto

A carne suína está presente com mais facilidade na mesa do brasileiro, conduto o modo de preparo faz a diferença, em especial se for feito em uma colheitadeira. Faltando 21 dias para a edição de 2018, em Rondonópolis, Jorge Salles, após ver um vídeo no Whatsapp, resolveu pegar uma colheitadeira e adaptar a mesma para o festival e assim fazer o “Leilão Colhido”. “Brincando com o Marco Túlio falei que iria fazer o Leitão Colhido. Fui no ferro-velho e em 21 dias estava pronta e funcionando”, conta Salles que participa desde o primeiro Braseiro, inicialmente na parte da organização e hoje como chefe de estação. “A gente veio com a brincadeira de sashimi de carne suína no início. Temos apoio da Associação estadual e brasileira dos criadores de suínos. Sou de família de criação de suínos. O intuito é quebrar paradigmas e mostrar para a sociedade que hoje o risco de comer carne suína é menor”.

Se o “Leitão Colhido” de Jorge Salles causa curiosidade, que dirá o “Frango Atropelado” de Saulo Marques Silveira. Natural de Rondonópolis Silveira possui na cidade um comércio de congelados e assados. O Frango Atropelado é um de seus carros-chefes. “Temos o nosso tempero e aqui trouxemos de acompanhamento crispe de bifum com creme de milho e mostarda djon. O Frango Atropelado nada mais é que um frango dessoado assado aberto na grelha, o que deixa marcas como se um pneu tivesse passado por cima dele”.

Foto: Assessoria Festival Braseiro

Braseiro

Varal de Cordeiro

Miúdos bovino, ossobuco e porco na casquinha de sorvete

Oito horas enrolada em um papel alumínio e pendurada em um varal com fogo no chão. Este foi um dos processos de preparo da “Língua de Boi com Polenta Caramelizada” servida na estação comandada por Paulo Cruz no Festival Braseiro.

“Antes disso foram cerca de 45 minutos de cozimento na água e depois de tirar o papel alumínio mais uns 30 minutos para dar uma corada. Priorizamos o animal como um todo, da cabeça ao rabo. Queremos aproveitar tudo e nesse sentido a língua caiu muito bem por ser uma carne exótica e muitas pessoas ainda tem resistência em comer ela. Só que fizemos ela de uma forma mais gourmetizada”.

Diferente e ousado. É assim que a carne suína na casquinha de sorvete levada pela estação ‘Pulled Pork’, chefiada pelo professor e churrasqueiro Manolo pode ser definida. “A ideia foi um amigo do Pará quem teve. Ele ficou sem panquecas e um sorveteiro estava passando e ele comprou as casquinhas. Conversei com ele e trouxe essa ideia para o Festival Braseiro. Nada mais é que carne suína que defumamos com lenha frutífera, que no caso do festival usamos a lenha de macieira. Com isso eu consigo dar um sabor de defumação suave. A nossa intensão no Braseiro foi trazer uma experiência diferente ao público”, comenta o professor e churrasqueiro.

Conhecido por ser uma carne de panela, o ossobuco era um dos pratos diferentes no festival. Phelippe Jacob comandou a estação “Ossobuco no Curanto”. O ossobuco nada mais é que uma parte da canela do boi e o curanto uma técnica de cozimento em um buraco. “É uma técnica utilizada há vários anos. É um buraco que vai bastante lenha e pedras e folhas de bananeira. O ossobuco é uma carne de panela e após muita pesquisa achamos interessante essa técnica e trouxemos para cá”.

Foto: Assessoria Festival Braseiro

Braseiro

 

Técnica utilizada também há vários anos é a da “Queima do Alho” levada pelo Boteco de Quinta, cuja estação foi comandada por Ale Arfux Junior e Jaqueline Mattos Arfux. “São as sobras do churrasco. O arroz carreteiro. Você queima o alho, deixa preparado para receber a carne que sobra do churrasco e o arroz. No nosso caso no festival preparamos a carne e a colocamos para fazer o churrasco”, comenta Jaqueline.

Festival Braseiro

O Festival Braseiro já é referência nacional em eventos do segmento, devido à dimensão alcançada em três anos, nas sete edições realizadas.

Na edição de Rondonópolis no último sábado (24), foram consumidas 5,3 toneladas de carne em 56 estações de alimentação por 3,5 mil pessoas. Outro fator considerável para o evento conquistar este patamar é a causa social, onde todo o lucro obtido será revertido para 13 instituições filantrópicas beneficentes.

As 13 instituições de Rondonópolis beneficiadas são: Lar Cristão, Santa Casa, Lar dos Idosos, Louis Braile, Rotary – Vila Operária, Casa do Adolescente, Associação Boa Semente, Associação Laura Vicunha, Unidade Municipal Jonas Cavalvanti (UMEI), Associação Rondonopolitana de Deficientes Visuais (ARDV), Associação de Pacientes Oncológicos de Rondonópolis (APOR), Paróquia São Domingos Savio – Restauração Recanto Fraterno, Associação Rondonopolitana de Pessoas com Transtorno Autista (ARPTA).

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