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Sábado, 01 de Dezembro de 2018, 10:46

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SUCESSÃO FAMILIAR

Menos de 5% das empresas no Brasil chegam à terceira geração; especialistas afirmam que preparação é necessária

Por: Viviane Petroli

Da Redação Mato Grosso Agro

Foto: Assessoria

Cristhiane Brandão

 

Profissionalizar e preparar as futuras gerações na gestão familiar para assumir os negócios são pontos considerados importantes por especialistas para a sucessão familiar. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada 100 empresas brasileiras apenas 30 chegam à segunda geração e somente 5 alcançam a terceira.

A transferência de bastão do comando dos negócios para alguém da família, sejam eles de pequeno, médio ou grande porte, a cada dia é mais difícil. Especialistas afirmam que a tarefa não é tão simples como se parece, uma vez que o ambiente está cada vez mais competitivo e globalizado. Além disso, tais profissionais frisam ser necessário de 5 a 10 anos de preparação contínua para o bastão possa ser passado.

Passar o bastão para algum familiar tomar conta da empresa não é uma tarefa fácil. É preciso entender a situação da família. É preciso, pontuam os especialistas na área de gestão e comportamento, que se levante as necessidades e os dilemas da família para a confecção de um diagnóstico inicial que compreende, por exemplo, os papéis em cada esfera: ambiente familiar (pai, mãe, filho, neto, cunhado, genro), empresa (presidente, diretor, gerente, comprador, vendedor, financeiro) e propriedade (sócio, sócio investidor, sócio gestor).

"Esse processo envolve gestão empresarial, patrimonial e familiar. Não é uma construção simples porque há um conflito latente o tempo todo. Enquanto a lógica da família é 'socialista' ao buscar ser equânime e oferecer oportunidades igualitárias a todos; a empresa é 'capitalista', requer resultados, alta performance, meritocracia e atender ao mercado", explica Cristhiane Brandão, administradora pela UFMT e consultora na área de gestão empresarial há 20 anos e que há cinco se especializou na área familiar.

De acordo com Cristhiane Brandão, cada uma das pessoas da família que atuam na empresa "tem sua importância e abrangência. Compreender e respeitar a hierarquia desses papéis contribui significativamente para a maturidade da família e a profissionalização da empresa. Existem mecanismos que ajudam a família empresária a se organizar, encontrando a forma mais apropriada de acordo com a geração que está no controle e com o contexto dos negócios".

A especialista afirma que antes de se traçar estratégias de gestão familiar é preciso antes de mais nada entender a diferença entre "herdeiro do negócio" e "sucessor do negócio". Cristhiane Brandão explica que o "primeiro surge em decorrência de um direito legal, tendo consequências práticas na empresa e no patrimônio, mas que não afeta diretamente a gestão operacional e o dia-a-dia da empresa", enquanto que o segundo "tem a ver com quem deverá ocupar o cargo e desempenhar as funções profissionais, substituindo o fundador, exigindo competências, habilidades, conquista pessoal e méritos".

A sucessão familiar, salienta Cristhiane, pode estar ligada a diversos fatores, como falecimento, aposentadoria, afastamento, determinação estatutária ou demissão. "Essa transição normalmente é muito dolorosa e possui forte carga emocional, já que a primeira geração tem que abrir mão do controle e buscar novos projetos de vida fora da empresa, que faz parte dessa etapa da vida do fundador".

A profissional destaca ainda que é fundamental para o sucessor ter o apoio do fundador da empresa, seja ele o pai ou o tio, por exemplo, ara a manutenção do legado composto por visão, missão e valores do negócio.

"Como investir, onde, de que maneira. Se bem trabalhada, a herança deixa de ser um motivo para brigas e se torna um presente a ser multiplicado pelos descendentes", diz a especialista.

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