Indústria

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2018, 19:30

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TRANSPORTE BLOQUEADO

Quase R$ 4 mi em gás natural serão queimados em gasoduto em Mato Grosso; indústrias, taxistas e Uber ficarão sem acesso ao produto

Por: Viviane Petroli

Da Redação Mato Grosso Agro

Foto: Assessoria de Imprensa Fiemt

Gás natural

 

Cerca de R$ 4 milhões em gás natural localizado no gasoduto existente entre a Bolívia e Mato Grosso serão queimados. O montante equivale aos 5 milhões de metros cúbicos de gás natural que deixaram de ser entregues para indústrias, taxistas e Uber no estado que utilizam o produto para geração de energia e como combustível desde julho. A queima já possui autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e será realizada pela GasOcidente Mato Grosso (GOM), ligada ao grupo J&F, que alega não ter mais interesse e condições financeiras para a exploração do transporte do gás natural. Conforme a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e a MT Gás, uma ação popular junto à Justiça Federal será ajuizada para garantir que seja reativado o abastecimento do produto, uma vez que se mantido o gás dentro do gasoduto ou se houver consumo do mesmo sem o fluxo normal de abastecimento há risco de explosão, podem não afetar apenas as indústrias e empresas situadas no Distrito Industrial, mas também quase 4 mil famílias que nas proximidades.

A situação foi apresentada pela Fiemt, pela MT Gás e representantes de postos revendedores de gás natural, oficinas que fazem a conversão em veículos e indústrias na tarde desta quinta-feira, 27 de setembro, em Cuiabá.

A empresa GasOcidente Mato Grosso (GOM) detém a autorização para a exploração da estrutura do gasoduto existente entre Mato Grosso e a Bolívia. A empresa formalizou a decisão de interromper as atividades por tempo indeterminado junto à ANP e deverá iniciar os procedimento para o bloqueio, o que inclui a queima de todo o gás que está parado na tubulação, seguido pelo preenchimento do duto com nitrogênio. A GOM, conforme a Fiemt e a MT Gás, pontua que o procedimento é necessário para evitar acidentes, como a explosão do próprio duto, vindo a afetar as cerca de 4 mil famílias que moram em condomínios residenciais situados na região do Distrito Industrial de Cuiabá.

O gás que deverá ser incinerado tem um valor de mercado de aproximadamente US$ 925 mil, o equivalente cerca de R$ 4 milhões.

O prejuízo para quem utiliza o gás natural é imensurável. Entretanto, conforme industriais que utilizam o produto, a troca dos equipamentos para os que usam energia elétrica não é o que preocupa, mas sim o fechamento das empresas diante o aumento dos custos, o que irá gerar desemprego.

A Fiemt e a MT Gás afirmam que a GOM alegou ter perdido o interesse na exploração do gasoduto a partir do momento em que a Petrobras deixou de atender a Usina Termelétrica Mário Covas, localizada no Distrito Industrial de Cuiabá, as margens da Rodovia dos Imigrantes, que pertence à empresa Âmbar Energia. Tanto a GOM quanto a Âmbar pertencem ao Grupo J&F Holding, da qual faz parte a JBS.

“No mundo inteiro o gás natural à indústria e em Mato Grosso caminha de ré. Não existe indústria forte no mundo sem o gás natural. Você tem um gasoduto, mas não tem o produto. É uma situação de emergência isso. A empresas, táxis e Uber dependem desse produto para seguir operando”, pontua Jandir Milan, presidente da Fiemt.

O volume de 5 milhões de metros cúbicos existentes no gasoduto e que serão queimados, salienta Jandir Milan, são o suficiente para abastecer Mato Grosso por quase 3 anos.

“As pessoas confiaram e hoje estão sem o gás. A nossa usina termelétrica é uma das maiores do Brasil e está parada. Essa situação é decorrente dessa guerra política que ocorre em Brasília que está nos atrapalhando”, frisa Francisco Jammal, diretor técnico da MT Gás.

O diretor comercial da MT Gás, Juliano Muniz Calçada, destaca que reuniões em Brasília foram realizadas com a Petrobras e a ANP para reverter à situação. Entretanto, a ANP alegou que “como a questão está ajuizada não há nada que eles possam fazer”.

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