Energia

Terça-feira, 14 de Agosto de 2018, 18:05

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SETOR ENERGÉTICO

Consumidor deve amargar prejuízo de R$ 23 bi em 30 anos com energia elétrica

Por: Viviane Petroli

Da Redação Mato Grosso Agro

Foto: Reprodução/Internet

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O mato-grossense e o brasileiro devem amargar em 30 anos com um prejuízo de R$ 30 bilhões no que tange a energia elétrica. A projeção é do Tribunal de Contas da União (TCU) e na avaliação do setor energético em Mato Grosso por hora não há uma luz no fim do túnel.

Para o setor energético mato-grossense esse blackout financeiro para o consumidor é resultado de uma imersão equivocada que envolve tanto a escolha da matriz energética quanto o travamento de licenças para as PCH´S (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e CGH´s (Centrais Geradoras Hidráulicas), das quais são menos onerosas e com baixo impacto ambiental.

Segundo especialistas da área energética, neste cenário o brasileiro se torna refém todos os anos de altos custos, em especial no período de estiagem, quando os reservatórios das usinas hidrelétricas ficam em baixa e levam o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aciona a operação das mais de 60 usinas termelétricas em todo o país.

"Enquanto o governo brasileiro não tratar com seriedade o setor energético vamos padecer com esta política de escuridão, sendo a mais cara do mundo, e ainda, sem a qualidade que o Brasil tem para oferecer, uma energia mais limpa, barata, abundante e ainda, sem grandes impactos ambientais. Não é ilegal o acionamento das termelétricas, mas pode dizer que é imoral, diante do custo mais elevado entre as matrizes energéticas, sendo também a mais nociva ao meio ambiente diante da descarga de gases poluentes", pontua o conselheiro da ABRAPCH (Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas) e diretor do Sindenergia MT, Ralph Rueda.

A estiagem leva ao acionamento das termelétricas para garantir o suprimento de energia elétrica no país, com isso os valores médios semanais do custo de operação de todos os subsistemas do Sistema Interligado Nacional (SIN) passaram de R$ 603,83 megawatts/hora (MWh) para R$ 763,77/MWh.

Conforme a última atualização do ONS, o reservatório da usina de Furnas, o principal do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste está com 27,90% de volume útil. O subsistema, que reúne 19 reservatórios, opera com 34,43% de energia armazenada. Já o Subsistema Sul opera com 49,57%; o Nordeste com 35,07%; e o Norte com 67,25%.

O acionamento das termelétricas leva os consumidores a pagarem mais na conta de energia. Hoje, o brasileiro conta com a bandeira vermelha patamar 2, que define o custo de R$ 5 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

"O setor elétrico fica questionando os motivos de não lançar leilões, pois poderia aumentar a compra de forma significativa de energia hídrica, que é a base energética do país, ao invés de lançar mão de mais térmicas de forma emergencial, solar e eólicas", diz Rueda.

Rueda salienta que Mato Grosso seria um dos estado brasileiros com todos os requisitos para a produção de uma energia limpa e sem impactos ambientais, com a instalação de PCH`s, tanto em sistemas não consultivos (sem consumo de água), ou com reservatórios. "Temos água neste Estado, os projetos existem, são sérios, de empreendedores que insistem em trazer o desenvolvimento sustentável, porem podem perder uma luta, caso o poder público continue omisso com o setor energético. Estamos implorando a abertura de diálogo com o Governo, Ministério Público e demais órgãos competentes, o setor tem condições de produzir energia limpa, sem degradações, ao ponto de contribuir para que o brasileiro deixe de sofrer perdas financeiras com a conta de energia, é preciso apenas dar espaço para quem pode empreender".

Contudo, hoje, um dos grandes entraves do setor hidro energético em Mato Grosso é a morosidade com a concessão de licenças ambientais. "Vivemos uma política engessada, que precisa ser dissolvida em resolutividade com todos os órgãos competentes, um Estado, um país, um município, por menor que seja não sobrevive e não produz sem energia elétrica. E um país como o nosso, poderia fornecer uma das energias mais baratas do mundo, mas temos a mais cara e agora a mais poluente do planeta com as termelétricas", pontua Rueda.

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