Agricultura

Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019, 12:31

Tamanho do texto A - A+

EVOLUÇÃO DE PRAGA

Embrapa identifica mosca branca do biótipo Q em Mato Grosso

Por: Viviane Petroli

Da Redação Mato Grosso Agro

Foto: Sebastião de Araújo/BME Embrapa

Mosca Branca Q

 

Pesquisadores da Embrapa identificaram em Mato Grosso a presença da mosca branca (Bemisia tabaci) do biótipo Q. Segundo os especialistas, tal "raça" desta praga que tem causado inúmeros prejuízos para as lavouras de soja no estado, principalmente, tem como característica ser naturalmente mais resistente a uma gama de inseticidas utilizados na agricultura. O biótipo Q da mosca branca foi identificado em uma floricultura localizada em Sinop e ainda não se sabe se já há presença do mesmo nas lavouras da região.

A identificação do biótipo Q da mosca branca foi realizada através de um trabalho coordenado pelo pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Rafael Pitta, com auxílio de alunos de graduação do curso de Agronomia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O trabalho contou ainda com a ajuda de pesquisadores de Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (SP).

Conforme a Embrapa Agrossilvipastoril, a identificação foi realizada através da biologia molecular. Os especialistas frisam que a "análise do DNA é a única forma de diferenciar as raças, uma vez que são visualmente idênticas".

A Embrapa explica que a mosca branca biótipo Q é originária da região do Mediterrâneo e no Brasil foi coletada e identificada pela primeira vez em 2013 no Rio Grande do Sul por um grupo de pesquisadores, sendo detectada hoje, também, no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e em Goiás.

"Transmissora de viroses, a mosca branca causa danos em diversas culturas, com maior impacto econômico em pimentão, soja e algodão", diz a Embrapa.

Rafael Pitta, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril em Sinop, comenta que a busca pela mosca branca biótipo Q em Mato Grosso teve início após ele assistir a um evento científico que mostrava haver a presença da praga em plantios de flores no estado de São Paulo. Ele salienta que como plantas daquela região são comercializadas em todo o país era possível já haver a presença de indivíduos em outras regiões.

Com o auxílio de alunos do curso de Agronomia da UFMT, aonde ministra aula, foram coletadas moscas brancas em tomateiro, hibisco, rabo de gato, trombeta de anjo e lantana em uma floricultura e nos jardins das próprias residências. De todos os indivíduos analisados, dois dos cinco presentes na lantana eram do biótipo Q. As demais eram do biótipo B, mais comum na região.

Rafael Pitta explica ainda que a descoberta do biótipo Q em Mato Grosso "abre a necessidade de novas pesquisas para verificar se esta raça de mosca branca já está presente nas lavouras do estado. O risco maior é para as culturas da soja e do algodão".

"Como esta raça é resistente a uma gama de inseticidas, a pulverização das lavouras poderá selecionar indivíduos desta raça, tornando mais difícil e mais caro o controle da mosca branca. O exagero nas aplicações aumenta a pressão de seleção desta raça, favorecendo o estabelecimento dela nas lavouras. O melhor a fazer é monitorar a lavoura e somente aplicar o inseticida quando a infestação atinge o nível de dano", salienta o pesquisador da unidade da Embrapa em Sinop.

Avalie esta matéria: Gostei +2 | Não gostei